Jardim In Memoriam
 

Cemitério e Crematório da Penitencia

Projeto e Execução 2020

Rio de Janeiro - RJ
Fotógrafo: Enio Soares

A permanência simboliza o vínculo e a continuidade. Nutre o laço, fortalece o elo, projeta o encontro. Recorda a presença. Para estar sempre perto, ao alcance do sentir que rega a existência. A atmosfera de perenidade constitui a essência do Jardim In Memoriam. Nele, as cinzas depositadas na terra estabelecem a conexão do pertencimento ao mundo e à vida através de uma história que não finda. Porque o viver é latente em lembranças e sentimentos que compõem a trajetória.  

Elementos que transbordam narrativas ocupam o jardim e aguçam a reflexão. Como um espelho, o centro delimitado pela água reflete a natureza acolhedora do entorno e expressa a ideia de serenidade, fluidez e plenitude. A estrutura do memorial explora com sensibilidade o traço sinuoso. Configura unidade nas duas linhas espiraladas – de proporção áurea - que se curvam a um ponto de convergência. A aproximação sublima a ideia do reencontro que transcende a presença física. 

Materializada na sequência de tubos de aço incrustrados no solo - com extensões e angulações que dançam ante o olhar – a linha mais longa adentra a água. Marca o encontro com o banco de concreto curvilíneo que convida o visitante a tomar assento e ser partícipe do todo. A união esboça uma releitura do DNA humano. Perfila a representação de pessoas com memória genética e individualidades. Na terra, alinhados aos tubos que ascendem ao céu e tornam-se projeções no gramado, os receptáculos destinados às cápsulas cinerárias compõem o columbário e guardam nomes com pronúncia de afeto. 

O Jardim In Memoriam verbaliza a existência. Reafirma o pertencer, fazer parte, integrar.  Arquiteta e agrupa em minúcias pistas simbólicas do viver perpetuadas em recordações que mantêm o pulsar da identidade, as histórias compartilhadas e os entrelaces indissolúveis. O encontro metafórico das linhas constitui o elo duradouro dentro da curva sagrada da vida.